Cuidados Paliativos:
Existe limite para a cura, mas nunca para o cuidado
Receber o diagnóstico de uma doença grave ou que ameaça a continuidade da vida muda o tempo, o corpo, os planos e a forma como olhamos para tudo. De um momento para o outro, a rotina se transforma, e questões que pareciam distantes, sobre dor, sobre escolhas, sobre o que realmente importa, passam a ocupar o centro da experiência.
Cuidados Paliativos são uma abordagem de cuidado em saúde voltada para pessoas que enfrentam doenças graves, ameaçadoras ou em fase avançada. O objetivo não é apressar nem prolongar a vida artificialmente, mas oferecer a melhor qualidade de vida possível em cada etapa da doença, cuidando da dor, dos sintomas físicos, emocionais, sociais e espirituais. É um cuidado que olha para a pessoa inteira, não apenas para a doença.
E nesse cuidado, o sofrimento emocional pede tanta atenção quanto o sofrimento físico.
Para quem é o acompanhamento psicológico em Cuidados Paliativos
O acompanhamento psicológico paliativo é indicado para:
- Pessoas com diagnóstico de doenças crônicas, graves ou avançadas (oncológicas, neurológicas, cardiológicas, pulmonares, renais, entre outras).
- Pacientes em qualquer fase da doença, não apenas em fim de vida. Quanto antes o suporte começa, mais espaço há para elaborar, escolher e viver bem o tempo que houver.
- Familiares que acompanham o tratamento e enfrentam, junto com a pessoa amada, medos, dúvidas e sobrecarga emocional.
- Cuidadores (familiares ou profissionais) que precisam de um espaço próprio para cuidar de si enquanto cuidam de outro.
O que se trabalha em terapia nesse contexto
Cada pessoa traz um cenário único, mas há temas que costumam aparecer com frequência ao longo do processo:
- Elaboração do diagnóstico e do impacto da notícia, com tempo e cuidado para que cada emoção possa ser nomeada.
- Manejo da ansiedade, do medo e dos pensamentos intrusivos que aparecem diante da incerteza.
- Construção de sentido, o que esta fase da vida tem a ensinar, o que quero deixar, o que ainda quero viver.
- Comunicação dentro da família: como conversar com filhos, parceiros, pais sobre o que está acontecendo.
- Tomada de decisões sobre tratamentos, internações e cuidados, em diálogo com a equipe médica.
- Apoio à dignidade e à autonomia da pessoa adoecida.
- Práticas de mindfulness e autocompaixão para encontrar momentos de calma em meio à tempestade.
Não é sobre “pensar positivo” ou negar o que dói. É sobre aprender a estar com o que é, com presença e compaixão, sem fugir e sem ser engolido pelo sofrimento.
Cuidando de quem cuida
Familiares e cuidadores muitas vezes colocam o próprio cansaço em segundo plano. A culpa de sentir raiva, exaustão, tristeza, ou mesmo de querer alguns minutos para si, é uma das queixas mais frequentes. A psicoterapia oferece um espaço onde tudo isso pode existir sem julgamento, e onde aprender a se cuidar deixa de ser egoísmo para se tornar a única forma sustentável de continuar cuidando do outro.
Mindfulness e Cuidados Paliativos: uma combinação potente
A prática de mindfulness, atenção plena ao momento presente, com gentileza, tem sido amplamente utilizada em cuidados paliativos, com benefícios documentados em estudos científicos: redução de ansiedade, melhor manejo da dor, maior sensação de paz, melhora na qualidade do sono e nos relacionamentos. Por ser psicóloga e também instrutora de mindfulness, posso integrar essa prática às sessões quando faz sentido para você.
Como são feitas as sessões
O atendimento é realizado de forma online (para pessoas em qualquer lugar do Brasil ou exterior) e presencial em Florianópolis. A frequência costuma ser semanal, podendo ser ajustada conforme o momento clínico, em fases mais delicadas, podem ser necessárias sessões mais próximas ou de menor duração. Em situações específicas, é possível atender no ambiente hospitalar ou no domicílio do paciente, conforme acordo prévio.
Todo o acompanhamento acontece em diálogo respeitoso com a equipe médica e com a família, sempre que isso for benéfico para o cuidado.
Sobre quem cuida
Marjorie Carvalho (CRP 12/14695) é psicóloga clínica formada pela UNIFESP, com formação em Psicologia em Cuidados Paliativos pela Casa do Cuidar, referência nacional na formação de profissionais para essa área. Também é especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, com formação adicional em Terapia Cognitiva Narrativa Focada na Compaixão e em Mindfulness pela USP, com aprofundamento em centros de referência na Irlanda e Tailândia.
Quando procurar
Não existe momento “certo” ou “tarde demais” para começar. Sempre que houver dor que não estiver sendo escutada, decisões pesando, conversas difíceis a serem feitas, ou simplesmente o desejo de não atravessar essa fase sozinho, vale a pena conversar com um profissional treinado em um ambiente seguro e confidencial.
Você não precisa carregar isso sozinho. Estou aqui para caminhar junto com você ou com sua família neste momento, com presença, compaixão e sensibilidade.


